No mês do Estudante, refletimos sobre a trajetória educacional no Brasil e a relevância da formação acadêmica na construção de um futuro mais promissor.
O Dia do Estudante, celebrado em 11 de agosto, é uma data que remete à criação dos primeiros cursos de ensino superior no Brasil, em 1827, e à proposta de Celso Gand Ley, que em 1927 instituiu oficialmente a comemoração.
Com mais de 50 milhões de estudantes matriculados em instituições de ensino no país, segundo dados do INEP, a data é uma oportunidade para refletir sobre os desafios e conquistas da educação brasileira.
Em um cenário no qual a educação é um dos principais pilares para o desenvolvimento social e econômico, é fundamental reconhecer o papel dos estudantes na construção de uma sociedade mais justa e igualitária.
A história do Dia do Estudante
O Dia do Estudante remete à fundação das duas primeiras faculdades do Brasil: a Faculdade de Direito de Olinda (posteriormente transferida para Recife) e a Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo, ambas criadas em 11 de agosto de 1827 por decreto imperial de Dom Pedro I.
Essas instituições marcaram o início do ensino superior no país e formaram gerações de intelectuais, juristas e políticos que moldaram a história nacional e a construção do conhecimento.
Em 1927, cem anos após a criação desses cursos, o jurista e educador Celso Gand Ley propôs a oficialização do 11 de agosto como Dia do Estudante.
A partir de então, a data passou a simbolizar não apenas a memória histórica, mas também a luta por melhores condições de ensino e o reconhecimento do estudante como agente de transformação social.
Assim, o mês de agosto tornou-se um período de reflexão sobre os avanços, desafios e oportunidades enfrentados pela educação brasileira.
A importância da educação na formação do cidadão
A educação é um direito fundamental garantido pela Constituição Federal de 1988 e um dos principais mecanismos para reduzir as desigualdades sociais.
Segundo dados do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), indivíduos com ensino superior completo têm renda média 2,5 vezes maior do que aqueles com apenas o ensino médio. Além do aspecto econômico, a educação promove cidadania, pensamento crítico e participação ativa na sociedade.
O papel dos estudantes na transformação social
Os estudantes sempre estiveram na vanguarda de mudanças sociais e políticas no Brasil. Movimentos como as Diretas Já (1984) e as manifestações de 2013, que reivindicavam melhorias na educação pública, mostram como a mobilização estudantil pode influenciar políticas públicas.
Além disso, a atuação em grêmios, diretórios acadêmicos e projetos de extensão universitária fortalece a formação de líderes comprometidos com o bem-estar coletivo.
Desafios e oportunidades na educação
Nas últimas décadas, a educação brasileira registrou avanços significativos, especialmente na expansão do acesso ao ensino superior. Entre 2000 e 2022, o número de matrículas em graduações saltou de 2,7 milhões para mais de 8 milhões, segundo o INEP. No entanto, o Brasil ainda enfrenta desafios estruturais profundos.
Apesar dos avanços, um dos principais obstáculos é a desigualdade regional, que se reflete na concentração das melhores universidades no Sudeste, enquanto as regiões Norte e Nordeste têm acesso mais limitado ao ensino superior de qualidade.
Essa disparidade reforça ciclos de desigualdade social e econômica, dificultando a mobilidade acadêmica e profissional em regiões do país
Outro problema grave é a evasão escolar: segundo dados do INEP, cerca de 30% dos estudantes abandonam a graduação antes da conclusão, muitas vezes devido a dificuldades financeiras ou à falta de suporte acadêmico adequado.
Além disso, questões relacionadas à qualidade do ensino ganharam destaque recentemente, especialmente com o crescimento do Ensino a Distância (EAD). A decisão do Ministério da Educação (MEC) de restringir a modalidade integral em cursos como Direito, Engenharia, Educação Física e Medicina demonstra preocupações com a formação dos estudantes, levantando debates sobre como equilibrar flexibilidade e excelência pedagógica.
Esses desafios, no entanto, também abrem espaço para oportunidades de reformulação e aprimoramento do sistema educacional brasileiro.
Políticas voltadas à melhoria da educação
Os desafios impostos levam à reflexão de qual ensino se quer desenvolver no país, suscitando iniciativas que podem fortalecer a educação brasileira:
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Expansão de políticas de acesso e permanência estudantil, como os programas Prouni, FIES e auxílios para moradia e transporte que são essenciais para reduzir a evasão;
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Investimento em infraestrutura, incluindo a melhora de laboratórios, bibliotecas e acesso à internet em instituições públicas, o que se reflete na qualidade do ensino;
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Integração entre ensino, pesquisa e extensão de forma que as universidades sejam pontes para promoção de projetos sociais e científicos que contribuam para o desenvolvimento regional e nacional.
Algumas instituições de ensino no Brasil têm se destacado ao implementar práticas pedagógicas inovadoras que revolucionam a formação dos estudantes.
Um exemplo notável são os Institutos Federais (IFs), que combinam com excelência o ensino teórico e a prática profissional, oferecendo cursos técnicos integrados ao ensino médio e superior com forte conexão com as demandas do mercado de trabalho, aumentando a empregabilidade dos egressos.
Já universidades de ponta como USP e Unicamp vêm adotando metodologias ativas de aprendizagem, substituindo modelos tradicionais por abordagens baseadas na resolução de problemas reais, o que ajuda no desenvolvimento de habilidades práticas e pensamento crítico necessários para os desafios do século XXI.
O futuro da educação e o papel dos estudantes
O cenário educacional está em constante transformação, especialmente com o avanço da tecnologia e as mudanças no mercado de trabalho.
Os estudantes têm um papel central nesse processo, seja por meio da cobrança por políticas públicas eficientes, seja pela busca de uma formação crítica e engajada.
Em um mundo cada vez mais dinâmico, a educação continuará sendo a principal ferramenta para construir um futuro mais justo e promissor.
Ao mesmo tempo, as instituições focadas na educação têm refletido como preparar melhor os estudantes para demandas profissionais e sociais o que se reflete, por exemplo, no fim do EAD integral em cursos como de Educação Física e priorização de uma grade híbrida, equilibrando flexibilidade e qualidade de ensino.