Governo do Tocantins alerta sobre os riscos e as consequências do hábito de fumar

O Estado conta com 141 unidades de tratamento ao fumante, distribuídas em 69 municípios.

 

 

 

 

“Antes eu achava que não dava conta de largar de fumar, e hoje eu nem lembro que existia cigarro na minha vida”, conta o pecuarista Renato Gondim Domingos, de 58 anos, que fumou durante 35 anos e abandonou o vício após um procedimento cirúrgico. Para que mais pessoas tenham relatos de superação, a Secretaria de Estado da Saúde (SES-TO) aproveita o Dia Nacional de Combate ao Fumo, celebrado em 29 de agosto, para sensibilizar a população sobre a importância da cessação e tratamento do tabagismo.

“Em 2015, fui fazer uns exames onde foi constatado o entupimento de uma veia. Passei por uma cirurgia, coloquei dois stent, e o médico cardiologista pediu que eu diminuísse o cigarro. Inicialmente, eu falei que não tinha como, mas depois eu decidi largar o cigarro, foi muito custoso, eu larguei na marra mesmo, na raça. Eu fumava 4 carteiras de cigarro por dia e, depois que parei de fumar, comecei a sentir os benefícios na qualidade de vida. Foi um período difícil, mas a vontade foi acabando. Já tem dez anos que eu parei, nunca dei uma recaída, nunca voltei e nem quero voltar”, complementou o pecuarista.

Segundo o pneumologista Frederico Castro Costa Póvoa, “o cigarro afeta o corpo como um todo, causando doenças no coração, pele, pulmão e artérias, mas, sem dúvidas, os maiores prejuízos são o enfisema e o câncer de pulmão. A cessação do tabagismo traz inúmeros benefícios, como a melhora do batimento cardíaco e da pressão, reduz a chance de infarto e derrame e a chance de desenvolver enfisema e cânceres”.

A pedagoga Thici Luchiari, de 33 anos, também é ex-fumante e abandonou o vício depois de 12 anos com o hábito. “Por incrível que pareça, hoje eu sinto cheiro de cigarro/palheiro e sinto falta de ar, acho uma carniça e, às vezes, saio de perto porque o cheiro me incomoda demais. Hoje tenho mais qualidade de vida, minha respiração está melhor, o que facilita até durante as minhas caminhadas.”

 

 

 

 

Combate ao tabagismo

No Tocantins, a SES-TO é a principal agente na implementação e articulação do Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), que oferta de tratamento para a cessação do tabagismo no Sistema Único de Saúde (SUS), disponibilizando acompanhamento ambulatorial com consultas individuais, sessões de grupo e apoio medicamentoso, além de capacitações para profissionais e apoio a municípios.

Segundo dados do PNCT, o Estado conta com 141 unidades de tratamento ao fumante, distribuídas em 69 municípios, que ofertam o tratamento aos tabagistas com abordagem cognitiva comportamental e apoio medicamentoso. O objetivo é que o indivíduo desenvolva a capacidade de gerenciar seu comportamento, saia do ciclo vicioso e pare de fumar.

Em 2024, um total de 682 pacientes receberam o tratamento para a cessação do uso do tabaco, destes 384 homens e 298 mulheres. Já em 2025, no período de janeiro a abril, 141 pacientes foram atendidos, sendo 68 homens e 73 mulheres.

Os locais de assistência aos fumantes são as Unidades Básicas de Saúde, Centros de Atenção Psicossocial e Centros de Especialidades Médicas que estiverem cadastrados. O cadastramento de novas unidades de saúde no PNCT é realizado após a qualificação dos profissionais de saúde municipais. Após o cadastramento, são oferecidos apoio técnico e realizado o monitoramento dos serviços.

“Para os fumantes que querem parar de fumar recebam o acompanhamento especializado, precisam procurar sua unidade de referência e verificar na mesma se ofertam o programa, e caso não oferte, estes profissionais indicarão a unidade mais próxima de sua residência que oferte. É realizada uma avaliação individual pelos profissionais capacitados, e logo após, o fumante será direcionado para participar do grupo para acompanhamento e receber o tratamento adequado. O tratamento pode ser individual ou em grupo, dependendo do perfil do paciente e da disponibilidade dos serviços de saúde”, explica a Coordenadora Estadual do Programa do Tabagismo, Lenna Almeida.

 

 

 

 

Cigarro eletrônico

Com a comercialização proibida no Brasil desde 2009 pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), o cigarro eletrônico se tornou comum entre os jovens e um grande perigo para a saúde. “O cigarro eletrônico possui concentrações de nicotina maiores que o cigarro comum, e é modificado quimicamente para que vicie mais rápido. Com isso, as pessoas tendem a fumar mais e maiores quantidades. Mas eles não têm apenas a nicotina, têm diversos componentes que, quando aquecidos, podem predispor ao desenvolvimento de cânceres. Logo, como as pessoas fumam mais, estão em maior risco. No entanto, o surgimento do câncer não é rápido, leva anos e anos. Ele, infelizmente, caiu no gosto dos mais jovens, que acreditam que não faz mal. Ele é um lobo em pele de cordeiro, fazendo tanto mal quanto o cigarro comum”, pontuou o pneumologista.

 

 

 

Dados nacionais

Dados do Ministério da Saúde (MS) apontam que houve um crescimento de 25% no número de fumantes no Brasil entre 2023 e 2024, sendo esta, desde 2007, a primeira vez que o Brasil registra um aumento tão significativo.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) classifica o tabagismo como uma doença, a qual é caracterizada pela dependência da nicotina. Apesar de ser muito associado ao cigarro comum, essa substância química está presente em todos os outros derivados do tabaco, como o charuto, o cachimbo e o narguilé.

O impacto total do tabagismo no SUS é de R$ 153 bilhões por ano, sendo que apenas 5% desse valor é arrecadado em impostos com a venda de cigarros.

No Brasil, mais de 174 mil pessoas morrem a cada ano por doenças causadas pelo tabaco, sendo 55 mil por câncer. Já no mundo, são oito milhões de mortes anuais, segundo a OMS.

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